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Sangue na urina: quando ultrassom ou tomografia entram na investigação

Kelma Yaly

A presença de sangue na urina pode ser indicativo de infecções do trato urinário ou doença renal crônica. Esse sinal, também chamado de hematúria, nunca deve ser ignorado, embora nem sempre indique uma condição grave.

Precisamente por isso, o sintoma precisa ser investigado detalhadamente para descobrir a verdadeira causa do seu aparecimento e, consequentemente, iniciar o tratamento imediato.

Com o objetivo de esclarecer o assunto, neste artigo serão explorados os tipos de hematúria, seus sintomas, principais causas e formas de tratamento.

Tipos de hematúria

Os tipos de hematúria são:

  1. Hematúria macroscópica: Isso ocorre quando há sangue suficiente na urina para ser visível a olho nu.
  2. Hematúria microscópica: A hematúria microscópica (micro-hematúria), significa que há sangue na urina, mas a quantidade é pequena que não é visível a olho nu.

De acordo com os médicos, a hematúria é comum, pois mais de 20% das pessoas que consultam um urologista apresentam sangue na urina.

Por outro lado, a hematúria microscópica afeta entre 2% e 31% da população.

Principais sintomas

O aparecimento de sangue na urina já é um sintoma e nesse caso pode vir acompanhado de outros, entre eles:

  • Urinar com mais frequência do que o habitual
  • Dor ou ardência ao urinar
  • Necessidade urgente e intensa de urinar

Além desses sintomas, outros possam estar associados:

  • Náuseas e vômitos
  • Febre
  • Calafrios
  • Dor lombar
  • Dor abdominal

Principal causa de sangue na urina (hematúria)

Muitas são as causas da presença de sangue na urina (hematúria), podendo ser até grave e podem ser:

  • Cálculo renal
  • Infecção do trato urinário
  • Infecção renal
  • Inflamação da bexiga (cistite)

Certos tipos de câncer também podem causar o aparecimento de sangue na urina e são eles:

Outras condições que podem causar sangue na urina incluem:

  • Aumento da próstata
  • Lesões no sistema urinário
  • Endometriose
  • Doença renal crônica
  • Doença falciforme

Pessoas propensas a apresentarem sangue na urina (hematúria)

O aumento da probabilidade ocorre em pessoas que apresentam:

  • Quadro de infecção urinária
  • Anomalia urinária congênita
  • Ter mais de 50 anos
  • Histórico familiar de doenças que afetam o sistema urinário, como doença renal crônica ou cálculos renais
  • Uso de medicamentos, incluindo anticoagulantes, anti-inflamatórios não esteroides e antibióticos
  • Desidratação
  • Exposição a certos produtos químicos ou radiação no trabalho

Diagnóstico

A investigação e o diagnóstico de sangue na urina (hematúria) deve ocorrer de forma pormenorizada. Ela deve iniciar por:

Histórico clínico e exame físico

A avaliação inicia pelo histórico clínico e exame físico, onde será questionada a duração e frequência do sangramento, presença ou não de outros sintomas (dor ao urinar, febre, dor nas costas), histórico de infecções urinárias, cálculos renais ou problemas na próstata, além do uso de medicamentos, especialmente anticoagulantes.

Exame de urina

O exame de urina é um dos primeiros testes realizados em casos de sangue na urina.

Em um primeiro momento, realiza-se o exame de urina tipo 1, que avalia a presença de hemácias, proteínas, células e outras substâncias. Além disso, o médico costuma solicitar o exame de cultura de urina, visto que, por meio desse procedimento, é possível confirmar se há uma infecção bacteriana ativa.

Cistoscopia

A cistoscopia é um procedimento que permite visualizar diretamente o interior da bexiga e uretra ajuda a identificar lesões, tumores ou outras anomalias.

Exames de sangue

Por meio dos exames de sangue é possível avaliar a função renal e sinais de doenças sistêmicas, como:

  • Hemograma completo: Verifica anemia ou sinais de infecção.
  • Creatinina e ureia: Avalia a função renal.
  • Exames específicos: Para doenças autoimunes ou desordens sanguíneas.

Exames de Imagem

Se pela avaliação clinica e exame de urina ainda persistir dúvida, deve ser solicitado os exames de imagem para visualizar o trato urinário, como:

Ultrassom: Usa ondas sonoras para criar imagens dos rins, bexiga e próstata.

tomografia" title="Tomografia computadorizada – Clínica Rossetti">Tomografia Computadorizada: Oferece imagens detalhadas dos órgãos internos e é útil para detectar pedras nos rins, tumores e outras anomalias.

O ultrassom de vias urinárias geralmente é o primeiro exame solicitado, funcionando como uma triagem inicial excelente e muito segura. Contudo, o método apresenta grande dificuldade para analisar os ureteres (os canais finos que ligam os rins à bexiga), o que pode fazer com que tumores ou cálculos muito pequenos passem despercebidos.

Por outro lado, a tomografia computadorizada surge como o exame definitivo para uma investigação completa de sangramento urinário.

Essa abordagem ganha recomendação especial se o sangue for visível a olho nu (macroscópica) ou se o paciente tiver mais de 40 anos e histórico de tabagismo, o que garante a identificação precisa da causa raiz.

Quando o assunto é saúde, a precisão do diagnóstico é o primeiro passo para o sucesso de qualquer tratamento.

Nesse cenário, a Clínica Rossetti se consolida como a principal referência em exames de imagem, oferecendo à população uma estrutura de vanguarda que une alta tecnologia e atendimento humanizado.

Tratamento

O tratamento vai depender da causa, mas o inicio ocorre com os medicamentos que podem tratar:

Infecções: Geralmente, o uso de antibióticos é suficiente para tratar o quadro infeccioso de forma eficaz.

Aumento da próstata: Para esta condição, por outro lado, são comumente utilizados medicamentos como os alfa-bloqueadores e os inibidores da 5-alfa-redutase.

Câncer: Nesses casos, o tratamento será estritamente adequado ao estágio da doença e aos objetivos de cuidado do paciente. Dessa forma, as opções podem incluir vigilância ativa, cirurgia, radioterapia, imunoterapia, quimioterapia, terapia hormonal ou, ainda, uma combinação dessas abordagens.

Anemia falciforme: Com o intuito de controlar a condição, são prescritos medicamentos modificadores da doença, tais como analgésicos e antibióticos. Além disso, utilizam-se remédios que impedem a destruição das células sanguíneas ou que evitam o seu formato de foice.

Doença renal crônica: Diante desse diagnóstico, são indicados diuréticos e remédios para controlar a pressão arterial (anti-hipertensivos) e baixar o colesterol. Do mesmo modo, medicamentos para estimular a produção de glóbulos vermelhos podem ser recomendados em caso de anemia associada.

Endometriose: Por fim, o tratamento costuma envolver terapias hormonais, incluindo o uso de contraceptivos hormonais para o controle dos sintomas.

Prevenção

Os principais pilares para a prevenção são:

  • Hidratação constante: A ingestão de líquido suficiente ao longo do dia dilui a urina, o que impede a supersaturação de sais e minerais que geram os cálculos renais (pedras nos rins). Além disso, a urina frequente ajuda limpa a uretra, eliminando bactérias antes que elas se proliferem.
  • Infecções urinárias: Evitar segurar a urina por um longo período e realizar a higiene intima corretamente.
  • Evitar o uso de medicamentos e suplementos de forma indiscriminada: O uso frequente ou prolongado de medicamentos como Ibuprofeno, Cetoprofeno e Diclofenaco pode causar lesões renais (nefrite ou necrose papilar), que se manifestam com sangue na urina
  • Alimentação: O excesso de sódio e de proteína animal aumenta a excreção de cálcio e ácido úrico na urina, elevando drasticamente o risco de pedras nos rins.
  • Tabagismo: O tabaco é fator de risco para o câncer de bexiga e de rim. O sangue filtra as toxinas inaladas e as elimina na urina, o que agride cronicamente a parede interna desses órgãos.
  • Atividades físicas: Os exercícios de alta intensidade ou impacto prolongado (como maratonas ou lutas) podem causar pequenos traumas na bexiga ou quebra de glóbulos vermelhos, levando à presença de sangue na urina (hematúria).

Considerações finais

Em suma, o sangue na urina (hematúria), seja ela macroscópica ou microscópica, não constitui uma doença isolada; representa, na verdade, um sinal  do organismo que exige atenção.

Conforme visto ao longo deste artigo, as causas para a presença de sangue na urina são amplas e variam desde fatores simples e facilmente tratáveis, como desidratação ou infecção urinária leve, até condições crônicas e graves, a exemplo de cálculos renais, endometriose e diferentes tipos de câncer.

Para enfrentar esse panorama, a medicina oferece um arsenal detalhado de diagnóstico, que vai do histórico clínico a exames de imagem e cistoscopias. Dessa forma, os médicos identificam a causa raiz com precisão e iniciam o tratamento adequado o quanto antes.

No entanto, mais do que apenas remediar, o segredo para a longevidade do sistema urinário está na prevenção diária. Nesse sentido, adotar hábitos simples como manter uma hidratação constante, alimentar-se de forma equilibrada, evitar a automedicação e abandonar o tabagismo são passos fundamentais para proteger os rins e a bexiga.

Por fim, no caso de qualquer alteração na cor da urina ou do surgimento de sintomas associados, deve-se procurar um urologista ou nefrologista. Afinal, cuidar da saúde urinária é um compromisso diário com o seu bem-estar.

Publicado em: 28 de maio de 2026  ·  Atualizado: 28 de maio de 2026
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