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O que você conhece sobre a Hepatite D?

Kelma Yaly

A hepatite D é uma infecção viral que pode ser contraída exclusivamente por pessoas que já têm hepatite B. Em termos de evolução clínica, ela pode se manifestar de forma aguda ou crônica. No caso da infecção aguda, os sintomas podem surgir rapidamente e durar algumas semanas ou meses.

Geograficamente, a hepatite D é mais comum em partes da África, Ásia, Europa e América do Sul. Por outro lado, a ocorrência nos EUA é rara, bem como nos demais países da América do Norte.

Mas afinal, diante desse panorama, quais as especificidades da hepatite tipo D?

É o que veremos no presente artigo.

Tipos de hepatite D

Existem dois tipos de infecção pelo HDV:

Coinfecção: Uma coinfecção ocorre quando se é infectado pelo vírus da hepatite D ao mesmo tempo que pelo vírus da hepatite B.

Superinfecção: Uma superinfecção por hepatite D ocorre quando já tem uma infecção por hepatite B e posteriormente contrai a hepatite D. As superinfecções têm maior probabilidade de levar a doenças crônicas.

Principais causas

O vírus da hepatite D precisa do vírus da hepatite B para sobreviver, sendo que para contrair uma infecção por hepatite D é necessário que a pessoa já tenha tido uma infecção por hepatite B ou simultaneamente.

A transmissão pode ocorrer:

  • Relações sexuais
  • Compartilhamento de agulhas ou seringas
  • Picadas acidentais de agulha
  • Parto (quando há transmissão para a criança)

Sintomas

Os sintomas da hepatite D são semelhantes aos de outros tipos de hepatite e incluem:

  • Febre
  • Dor abdominal
  • Náuseas e vômitos
  • Perda de apetite
  • Urina escura
  • Fezes acinzentadas
  • Tonalidade amarelada na pele ou nos olhos (icterícia)

Além disso, a hepatite D também pode agravar os sintomas preexistentes da hepatite B.

Fatores de risco para a hepatite D

O risco de contrair hepatite D é maior quando:

  • Usuários de drogas injetáveis: devido ao compartilhamento de seringas e agulhas
  • Parceiros sexuais: pessoas que possuem parceiros infectados com hepatite B e D.
  • Exposição a materiais cortantes: compartilhamento de itens de higiene pessoal (lâminas de barbear, alicates de unha) ou uso de materiais de tatuagem e piercing sem esterilização adequada.
  • Pacientes em hemodiálise: pelo risco de contaminação cruzada em ambientes de saúde.
  • Populações vulneráveis: trabalhadores do sexo
  • Transmissão vertical: bebês de mães infectadas durante a gestação ou o parto.

Diagnóstico e tratamento

Para que o diagnóstico seja realizado, é solicitado inicialmente um exame de sangue para a detecção de anticorpos específicos (Anti-HDV) e, principalmente, o teste molecular de carga viral por PCR, técnica que confirma a replicação ativa do vírus no organismo.

Além disso, para avaliar a extensão dos danos ao órgão, também podem ser solicitados exames de imagem, como o ultrassom abdominal ou a elastografia hepática, com o objetivo de quantificar o grau de fibrose e verificar se há sinais de cirrose ou cicatrizes no fígado. Em casos excepcionais, uma biópsia hepática pode ser indicada para uma análise tecidual mais detalhada.

A Clínica Rossetti é referência em diagnóstico por imagem desde em 2003. Ao longo de mais de duas décadas, consolidou-se na região pela oferta de exames de alta precisão técnica, suporte ao paciente e corpo clínico especializado em radiologia.

O ultrassom é um dos pilares de atendimento da clínica, integrando o seu portfólio de alta tecnologia ao lado de outros de imagens.

Uma vez confirmado o quadro, o tratamento para a hepatite D visa impedir a multiplicação do vírus e frear a progressão da doença para quadros graves, como o câncer de fígado.

Dessa forma, a abordagem terapêutica atua de maneira conjunta, combatendo tanto a hepatite D quanto o vírus do tipo B, ocorre com antivirais de uso contínuo (como o Tenofovir ou Entecavir).

As opções de tratamento são:

Interferon alfa peguilado: É o medicamento mais usado. Ele estimula o sistema de defesa do corpo a combater a infecção.

Controle da Hepatite B: São usados remédios antivirais (como o Tenofovir ou Entecavir) para suprimir o vírus B. Sem o vírus B, o vírus D não consegue se multiplicar.

Transplante de fígado: Indicado nos casos mais graves, quando a doença evolui para cirrose ou insuficiência hepática.

Prevenção

Embora não exista uma vacina específica para a hepatite D, a prevenção é totalmente possível por meio da vacinação contra a hepatite B. Isso ocorre porque a existência da hepatite D depende obrigatoriamente da presença do vírus da hepatite B para se replicar.

Ademais, para recém-nascidos de mães infectadas ou após exposição acidental ao vírus, pode ser indicada a aplicação da Imunoglobulina Humana Anti-Hepatite B nas primeiras horas pós-exposição, garantindo uma proteção imediata.

Além da imunização, outras medidas de prevenção e redução de danos são fundamentais no dia a dia:

Uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs): Utilizar luvas estéreis sempre que houver possibilidade de contato com sangue infectado, pus ou outros fluidos corporais, especialmente para profissionais de saúde.

Redução de danos e práticas seguras: Nunca compartilhar agulhas, seringas, canudos, cachimbos ou outros equipamentos utilizados para o consumo de drogas injetáveis ou inaláveis.

Cuidados com a higiene pessoal: Não compartilhar itens de uso íntimo e pessoal, tais como lâminas de barbear, alicates de unha e escovas de dente.

Segurança em procedimentos estéticos e modificações corporais: Certificar-se de que estúdios de tatuagem, aplicação de piercings, salões de beleza e clínicas de estética utilizem materiais descartáveis ou rigorosamente esterilizados em autoclave.

Uso preservativo: Utilizar preservativo pois o vírus também é transmitido por via sexual.

Adesão ao tratamento: Para quem já possui o diagnóstico, tomar corretamente a medicação antiviral para tratar e controlar a hepatite B, reduzindo a carga viral e o risco de uma superinfecção pelo tipo D.

Considerações finais

Em suma, a hepatite D representa uma forma grave de infecção viral que se destaca por sua dependência absoluta do vírus da hepatite B para se manifestar. Como vimos ao longo do artigo, seja por meio de uma coinfecção ou de uma superinfecção, a presença do vírus agrava significativamente o quadro clínico do paciente, aumentando as chances de evolução para doenças crônicas e complicações hepáticas severas.

Diante desse cenário, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, que combina o uso de Interferon com o controle rigoroso da hepatite B, no qual é fundamental para conter o avanço do vírus. Contudo, a ferramenta mais poderosa contra a doença continua sendo a prevenção. Portanto, a vacinação contra a hepatite B estabelece-se como a principal linha de defesa, além de medidas práticas do dia a dia, como o não compartilhamento de objetos perfurocortantes e o uso de preservativos.

Em última análise, conscientizar a população sobre essas formas de transmissão e incentivar a imunização é o caminho mais eficaz para reduzir a ocorrência dessa patologia e proteger a saúde coletiva.

Perguntas e Respostas rápidas:

1. O que é a hepatite D e por que ela só afeta quem já tem hepatite B?

A hepatite D é causada por um vírus que depende do vírus da hepatite B para se multiplicar no organismo. Por isso, uma pessoa só contrai hepatite D se já estiver infectada pela hepatite B ao mesmo tempo (coinfecção) ou se adquirir a hepatite D posteriormente (superinfecção). Sem a presença do vírus B, o vírus D não consegue se replicar.

2. Quais são as formas de transmissão da hepatite D?

O vírus circula principalmente por meio de relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de agulhas ou seringas, picadas acidentais com material contaminado e, em alguns casos, durante o parto, quando a mãe transmite a infecção para o bebê. Profissionais de saúde, usuários de drogas injetáveis e pessoas em hemodiálise fazem parte dos grupos de maior risco.

3. Quais sintomas podem indicar uma infecção por hepatite D?

Os sinais costumam incluir febre, dor abdominal, náuseas, vômitos, perda de apetite, urina escura, fezes claras e icterícia, que é o amarelamento da pele e dos olhos. Como esses sintomas se parecem com os de outros tipos de hepatite, a avaliação médica é essencial para confirmar a causa e orientar a conduta adequada.

4. Como é feito o diagnóstico da hepatite D e qual o papel dos exames de imagem?

O diagnóstico começa com exames de sangue para identificar anticorpos específicos e confirmar a presença do vírus. A partir daí, exames de imagem, como o ultrassom abdominal, podem auxiliar na avaliação do fígado e ajudar a observar sinais de fibrose ou alterações no órgão, sempre conforme indicação médica. A Clínica Rossetti oferece ultrassom com tecnologia de alta precisão para apoiar essa investigação.

5. É possível prevenir a hepatite D?

Sim. Como o vírus D depende do vírus B para existir, a vacinação contra a hepatite B é a principal forma de proteção. Além disso, medidas como uso de preservativo, não compartilhamento de agulhas e itens de higiene pessoal, e cuidado em procedimentos estéticos ajudam a reduzir o risco de contágio. Manter o acompanhamento médico também contribui para um controle mais seguro da saúde.

Publicado em: 3 de julho de 2026  ·  Atualizado: 3 de julho de 2026
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