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Doenças hematológicas e cansaço, qual a relação?

Kelma Yaly

Embora o cansaço seja frequentemente associado ao estresse, isso nem sempre é verdade. Em muitos casos, a origem da fadiga pode estar relacionada a doenças hematológicas.

Essas doenças, por sua vez, envolvem alterações na produção, função ou qualidade das células sanguíneas, como hemácias, leucócitos e plaquetas, ou ainda no sistema de coagulação do sangue.

Além disso, enfermidades como mieloma, leucemia e linfomas fazem parte desse grupo e exigem atenção redobrada.

Neste artigo, você vai entender melhor cada uma dessas doenças. Vamos abordar suas possíveis causas, principais sintomas e, claro, as opções de tratamento disponíveis.

Doenças hematológicas

As doenças hematológicas também chamado de distúrbios sanguíneos podem afetar uma ou mais partes do sangue.

Além disso, esses distúrbios podem ser cancerígenos e não cancerígenos.

Desse modo, existem três principais distúrbios hematológicos cancerígenos: leucemia, linfoma e mieloma, todos cânceres que surgem de células anormais do sangue ou da medula óssea.

Leucemia

A leucemia é um câncer do sangue caracterizado pelo crescimento rápido de células sanguíneas anormais.

O crescimento descontrolado das células leucêmicas começa na medula óssea, local onde a maior parte do sangue do corpo é produzida.

Em geral, essas células anormais são glóbulos brancos imaturos, ou seja, ainda em fase de desenvolvimento.

Diferente de muitos tipos de câncer, a leucemia não forma um tumor sólido. Por isso, ela costuma não aparecer em exames de imagem, como tomografias computadorizadas.

Para entender melhor, é importante lembrar como se dividem as células sanguíneas:

  • Glóbulos vermelhos: transportam oxigênio e nutrientes essenciais para os tecidos e órgãos.

  • Glóbulos brancos: atuam na defesa do organismo, combatendo infecções.

  • Plaquetas: são fundamentais para a coagulação do sangue.

No entanto, quando a leucemia se instala, as células anormais passam a ocupar a medula óssea, impedindo o desenvolvimento saudável dos glóbulos vermelhos, brancos e das plaquetas.

Como resultado, todo o equilíbrio do sangue é comprometido.

Além disso, a leucemia pode ser classificada com base na velocidade com que se espalha:

  • Leucemia aguda: evolui rapidamente, com células leucêmicas se dividindo de forma acelerada.

  • Leucemia crônica: progride de maneira lenta e, muitas vezes, apresenta poucos ou nenhum sintoma perceptível. Vale destacar que essa forma é mais comum em adultos do que em crianças.

Portanto, compreender essas diferenças é essencial para o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz da doença.

Principais causas da leucemia

A leucemia começa quando o DNA de uma única célula da medula óssea sofre uma mutação. Esse erro de codificação faz com que a célula se transforme em uma célula leucêmica.

A partir desse ponto, em vez de seguir seu ciclo natural, essas células passam a se multiplicar de forma contínua e descontrolada.

Como resultado, elas comprometem o funcionamento normal da medula óssea e a produção de células saudáveis.

Embora qualquer pessoa possa desenvolver leucemia, algumas têm maior propensão devido a fatores específicos. Entre eles, destacam-se:

  • Tratamentos anteriores contra o câncer: especialmente aqueles que envolvem quimioterapia ou radioterapia.

  • Tabagismo: o cigarro é um fator de risco importante.

  • Exposição a produtos químicos industriais: como o benzeno, muito presente em ambientes industriais.

  • Doenças genéticas: certas condições, como a síndrome de Down, aumentam significativamente o risco.

  • Histórico familiar de leucemia: pessoas com parentes próximos que já tiveram a doença também estão mais suscetíveis.

Portanto, embora a causa exata nem sempre seja conhecida, entender esses fatores pode ajudar na prevenção, no diagnóstico precoce e no acompanhamento adequado.

Sintomas

Os sintomas comuns da leucemia incluem:

  • Fadiga
  • Febre
  • Infecções frequentes
  • Falta de ar
  • Pele pálida
  • Perda de peso inexplicável
  • Dor ou sensibilidade nos ossos e articulações
  • Linfonodos inchados no pescoço, axilas, virilha ou estômago, baço ou fígado aumentados
  • Hematomas e sangramentos fáceis, incluindo sangramento nasal , sangramento nas gengivas, erupções cutâneas ou manchas escuras na pele.

Diagnóstico

Para chegar ao diagnóstico de leucemia será solicitados os seguintes exames:

Os exames e testes diagnósticos podem incluir:

  • Exame físico: Será verificado se há linfonodos inchados e aumento do baço ou do fígado.
  • Hemograma completo: Nesse exame é possível verificar se há níveis anormais de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.
  • Exame de células sanguíneas: Pode ser coletado amostras de sangue adicionais para verificar marcadores que indiquem a presença de células leucêmicas ou de um tipo específico de leucemia. C
  • Biópsia de medula óssea ( aspiração de medula óssea ): A biópsia ocorre quando há uma contagem anormal de glóbulos brancos.
  • Exames de imagem e outros exames: Será solicitado radiografia de tórax, tomografia" title="Tomografia computadorizada – Clínica Rossetti">tomografia computadorizada ou Ressonância magnética – Clínica Rossetti">ressonância magnética. Esse exames serão solicitados se os sintomas indicarem que a leucemia afetou os ossos, órgãos ou tecidos.
  • Punção lombar: Será testado uma amostra do líquido cefalorraquidiano para verificar se a leucemia se espalhou para o líquido cefalorraquidiano que envolve o cérebro e medula espinhal.

Tratamento

O tratamento depende do tipo de leucemia e os mais comuns são:

  • Quimioterapia : A quimioterapia é a forma mais comum de tratamento da leucemia. Envolve o uso de substâncias químicas para matar as células leucêmicas ou impedir que se multipliquem.
  • Imunoterapia (terapia biológica): Este tratamento utiliza certos medicamentos para fortalecer o sistema de defesa do corpo para combater a leucemia. A imunoterapia ajuda o sistema imunológico a identificar células cancerígenas e a produzir mais células imunológicas para combatê-las.
  • Terapia direcionada : Este tratamento utiliza medicamentos projetados para atacar partes específicas de uma célula leucêmica (como uma proteína ou gene) que estão fazendo com que elas dominem as células sanguíneas normais.
  • Radioterapia: Este tratamento utiliza feixes de energia potentes ou raios X para matar células leucêmicas ou impedir seu crescimento. Durante o tratamento, um aparelho direciona a radiação para os pontos exatos do corpo onde as células cancerígenas estão localizadas ou distribui a radiação por todo o corpo. A distribuição da radiação por todo o corpo pode ocorrer antes de um transplante de células hematopoiéticas.
  • Transplante de células hematopoiéticas ( transplante de células-tronco ou de medula óssea): Este tratamento substitui as células hematopoiéticas cancerígenas mortas pela quimioterapia ou radioterapia por células hematopoiéticas novas e saudáveis.
  • Terapia com células T do receptor de antígeno quimérico (CAR) : Este é um novo tipo de terapia que utiliza células T do corpo que combatem infecções (células T ou linfócitos T são um tipo de célula imune), as modifica para combater células de leucemia e as reintroduz no organismo.

Mielona

O mieloma é um tipo de câncer que começa em um glóbulo branco chamado plasmócito.

Ou seja, essas células, quando saudáveis, têm uma função essencial: elas ajudam o corpo a combater infecções ao produzir anticorpos. proteínas responsáveis por identificar e atacar germes no organismo.

No entanto, quando surge o mieloma, tudo muda.

As células plasmáticas se tornam cancerígenas e começam a se acumular na medula óssea. À medida que se multiplicam de forma descontrolada, elas tomam o espaço das células sanguíneas saudáveis.

Como consequência, essas células doentes impedem a produção adequada de anticorpos e proteínas funcionais. Assim, o sistema imunológico enfraquece, já que as proteínas produzidas não conseguem desempenhar seu papel corretamente.

Além disso, o acúmulo de células anormais na medula óssea compromete todo o equilíbrio do sangue. Portanto, o mieloma não afeta apenas os plasmócitos, mas impacta diretamente o funcionamento geral do organismo.

Por isso, é fundamental ficar atento aos sintomas e procurar ajuda médica assim que algo parecer fora do normal.

Causas

O mieloma é causado por certas mutações genéticas, logo essas mutações variam de pessoa para pessoa.

Embora certas mutações tenham sido identificadas como fatores de risco para mieloma, ele não é considerado
uma doença hereditária.

Sintomas

No início do mieloma pode não haver sintomas.

Quando os sintomas aparecem, eles podem incluir:

  • Dor óssea, especialmente na coluna, no peito ou nos quadris
  • Náusea
  • Constipação
  • Perda de apetite
  • Confusão mental
  • Cansaço
  • Infecções
  • Perda de peso
  • Fraqueza
  • Sede.
  • Necessidade de urinar com frequência

Diagnóstico

Os exames específicos para o diagnóstico de mielona são:

  • Hemograma completo: Nesse exame é medido o número de glóbulos vermelhos e brancos, a quantidade de hemoglobina nos glóbulos vermelhos e o nível de concentração de glóbulos vermelhos.
  • Exame de bioquímica sanguínea : Este exame mostra os níveis de creatina (o funcionamento dos rins), albumina (uma proteína), cálcio e desidrogenase láctica.
  • Exame quantitativo de imunoglobulina : este exame de sangue mede os níveis de certos anticorpos no sangue.
  • Eletroforese
  • Exames de urina
  • Raios X: Para identificar possíveis danos aos ossos
  • Tomografia computadorizada
  • Ressonância magnética
  • Biópsias de medula óssea: A biópsia é realizada na medula óssea para analisar a porcentagem de plasmócitos normais e anormais

Tratamento

O tratamento envolve uma combinação de abordagens, escolhidas conforme a gravidade do caso e a resposta do paciente.

Para começar, os medicamentos para dor são utilizados com o objetivo de aliviar o desconforto causado pela doença.

Além disso, antibióticos são frequentemente administrados, já que um sistema imunológico enfraquecido aumenta o risco de infecções.

Em seguida, entram os esteroides, que em doses elevadas ajudam a destruir células cancerígenas e a reduzir inflamações.

Por outro lado, a quimioterapia também desempenha um papel essencial. Ela atua diminuindo o número de células plasmáticas anormais que se multiplicam de forma descontrolada.

Paralelamente, a imunoterapia estimula o sistema imunológico, permitindo que o corpo produza mais células de defesa contra o câncer.

Além disso, a radioterapia pode ser indicada para eliminar células cancerígenas e diminuir o tamanho dos tumores presentes nos ossos.

Por fim, quando necessário, o paciente pode passar por um transplante de células-tronco.

Ou seja, essas células, vindas da medula óssea ou do sangue, ajudam o organismo a regenerar células plasmáticas saudáveis e a fortalecer o sistema de defesa natural.

Portanto, embora o tratamento possa variar de pessoa para pessoa, ele é sempre planejado com o objetivo de combater o câncer de forma eficaz e devolver qualidade de vida ao paciente.

Linfomas

O linfoma é um tipo de câncer que se desenvolve no sistema linfático, uma rede essencial de tecidos, vasos e órgãos responsável por ajudar o corpo a combater infecções.

Esse câncer surge quando os glóbulos brancos, especificamente os linfócitos, sofrem uma mutação e se transformam em células cancerígenas.

Ou seja, como o sistema linfático faz parte do sangue, o linfoma é, portanto, classificado como um câncer hematológico.

Embora qualquer pessoa possa desenvolver linfoma, alguns fatores aumentam significativamente esse risco.

Por exemplo, indivíduos com o vírus HIV, histórico familiar da doença ou sistema imunológico comprometido por outras enfermidades ou tratamentos devem ficar em alerta.

Além disso, pessoas com doenças autoimunes também apresentam maior propensão ao desenvolvimento do linfoma.

Atualmente, os especialistas dividem a doença em duas categorias principais:

  • Linfoma de Hodgkin

  • Linfoma não Hodgkin

O linfoma não Hodgkin costuma afetar principalmente adultos entre 60 e 80 anos, sendo mais frequente entre os homens.

Já o linfoma de Hodgkin é mais comum em duas faixas etárias específicas: entre 20 e 39 anos e acima dos 65 anos — também com maior incidência no sexo masculino.

Sintomas

Apesar das diferenças entre os tipos, os sintomas costumam ser semelhantes. Os sinais mais comuns incluem:

  • Inchaço indolor em um ou mais gânglios linfáticos (pescoço, axilas ou virilha)

  • Fadiga constante

  • Febre sem causa aparente

  • Suores noturnos excessivos

  • Falta de ar

  • Perda de peso repentina e sem motivo claro

Por isso, é fundamental observar qualquer mudança no corpo e buscar orientação médica. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de sucesso no tratamento.

Diagnóstico e tratamento

Para diagnosticar o linfoma, os médicos costumam solicitar exames de sangue, como o hemograma, que avalia os diferentes tipos de glóbulos brancos.

Além disso, exames de imagem, como a tomografia computadorizada, ajudam a identificar possíveis aumentos nos gânglios linfáticos, no baço ou em outros órgãos.

Já a tomografia por emissão de pósitrons (PET scan) é fundamental para detectar sinais mais precisos de câncer no organismo.

Com o diagnóstico confirmado, o tratamento pode seguir diferentes abordagens, dependendo do tipo e estágio do linfoma. Entre as opções mais comuns estão:

  • Quimioterapia

  • Radioterapia

  • Terapia direcionada

  • Imunoterapia

  • Terapia com células T CAR

  • Transplante de células-tronco

Apesar dos avanços na medicina, infelizmente ainda não existe uma forma comprovada de prevenir o desenvolvimento do linfoma.

No entanto, estudos já indicam que certos fatores aumentam o risco da doença.

Por exemplo, a presença de alguns vírus e o histórico familiar com casos de linfoma são aspectos que merecem atenção e acompanhamento médico contínuo.

Portanto, estar atento aos sinais e manter os exames em dia é fundamental para garantir um diagnóstico precoce e ampliar as chances de sucesso no tratamento.

Considerações finais sobre doenças hematológicas

Por fim, entendemos que as doenças hematológicas envolvem alterações que comprometem a produção, a função ou a qualidade das células do sangue. como hemácias, leucócitos e plaquetas.

No entanto, os sintomas dessas doenças muitas vezes se confundem com sinais de condições mais simples. Um exemplo clássico é o cansaço, que costuma ser atribuído apenas ao estresse, mas pode indicar algo mais sério.

Além disso, é importante destacar que os sintomas raramente aparecem de forma isolada.

Em geral, surgem associados a sinais como palidez, sangramentos frequentes, infecções recorrentes, aumento dos gânglios linfáticos, febre persistente, perda de peso sem explicação e dores nos ossos.

A principal causa dessas doenças costuma estar relacionada a mutações genéticas nas células do sangue.

Como consequência dessas alterações, as células passam a se multiplicar de forma anormal, comprometendo o equilíbrio do organismo.

Dessa forma, ao perceber qualquer sintoma persistente ou se houver histórico familiar da doença, é essencial procurar um hematologista.

Enfim, quanto mais cedo o diagnóstico for feito, maiores são as chances de iniciar o tratamento de maneira eficaz e segura.

Publicado em: 12 de junho de 2025  ·  Atualizado: 12 de junho de 2025
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